• (14) 3402-1744
  • superintendencia@hc.famema.br

Acidentes por Animais Peçonhentos – Escorpião

Acidentes por Animais Peçonhentos – Escorpião

 

O escorpião é pertencente a classe dos aracnídeos, e se fala em acidente quando ocorre a inoculação do veneno através do seu ferrão.  O acidente por escorpiões é mais frequente em regiões subtropicais e tropicais, de todo mundo, com predomínio nos meses de maior temperatura e umidade.

Os escorpiões de importância em saúde pública são as seguintes espécies do gênero Tityus:

  • Escorpião-amarelo ( serrulatus)– com ampla distribuição em todas as macrorregiões do país, representa a espécie de maior preocupação em função do maior potencial de gravidade do envenenamento e pela expansão em sua distribuição geográfica no país, facilitada por sua reprodução partenogenética e fácil adaptação ao meio urbano;
  • Escorpião-marrom ( bahiensis) – encontrado na Bahia e regiões Centro-Oeste, sudeste e Sul do Brasil;
  • Escorpião-amarelo-do-nordeste ( stigmurus) – espécie mais comum do Nordeste, apresentando alguns registros nos estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina;
  • Escorpião-preto-da-amazônia ( obscurus) –encontrado na região Norte e Mato Grosso.

Atualmente é constatado aumento na incidência de acidente escorpiônico. Isto se dá principalmente porque as cidades estão invadindo regiões de floresta; e estes aracnídeos encontram com maior facilidade alimentos nas cidades, fato este responsável por aumento no potencial reprodutivo e o número de indivíduos (escorpiões) nas infestações encontradas nos centros urbanos.

São fatores de risco para infestação por escorpiões:

  • Não armazenamento adequado, assim como o descarte inadequado do lixo (de qualquer natureza (Ex: doméstico, urbano, industrial, etc…)
  • Ausência de manutenção de terrenos limpos.
  • Cuidado inadequado com quintais domésticos (manutenção de entulho de construção civil, limpeza inadequada de caixa de gordura e esgoto).

Esses fatores acima, facilitam proliferação de baratas, que são os alimentos preferenciais dos escorpiões; o que faz aumentar as infestações e consequentemente o número de acidentes.

Existem grupos de pessoas que são mais expostas aos acidentes escorpiônicos; como: trabalhadores da construção civil, jardineiros, crianças e pessoas que permanecem maiores períodos dentro de casa ou nos arredores, próximos a entulhos, locais onde se armazena lixo, restos de alimentos e terrenos sem limpeza adequada.

Sintomas associados ao acidente com escorpião:

A grande maioria dos acidentes é classificada como leve e o quadro local tem início rápido e duração limitada. Os adultos apresentam dor imediata, vermelhidão e inchaço leve por acúmulo de líquido, piloereção (pelos em pé) e sudorese (suor) localizadas, cujo tratamento é sintomático.

Crianças abaixo de 7 anos apresentam maior risco de alterações sistêmicas nas picadas por escorpião-amarelo (espécie mais comum), que podem levar a casos graves e requerendo  avaliação médica mais minuciosa e imediata;  inclusive com potencial de soroterapia específica em tempo adequado e internação hospitalar.

 

Classificação  quanto á gravidade dos acidentes por escorpião e tratamento específico:

Classificação

Manifestação Clínica

Tratamento

Leve Dor, eritema sudorese e piloereção

Local

Moderado

Quadro anterior+ um dos sintomas abaixo *

Soro/internação

Grave

Quadro anterior+ um dos sintomas abaixo **

Soro/internação

*Náusea, vômitos e sialorreia discretos, agitação, taquipneia e taquicardia

** vômitos profusos e incoercíveis, sudorese profusa, sialorreia intensa, prostração, convulsão, coma, bradicardia, insuficiência cardíaca, edema agudo de pulmão e choque.

Prevenção

  • Manter jardins e quintais limpos. Evitar o acúmulo de entulhos, folhas secas, lixo doméstico e materiais de construção nas proximidades das casas;
  • Evitar folhagens densas (plantas ornamentais, trepadeiras, arbusto, bananeiras e outras) junto a paredes e muros das casas. Manter a grama aparada;
  • Limpar periodicamente os terrenos baldios vizinhos, pelo menos, numa faixa de um a dois metros junto às casas;
  • Sacudir roupas e sapatos antes de usá-los, pois as aranhas e escorpiões podem se esconder neles e picam ao serem comprimidos contra o corpo;
  • Não por as mãos em buracos, sob pedras e troncos podres. É comum a presença de escorpiões sob dormentes da linha férrea;
  • Usar calçados e luvas de raspas de couro;
  • Como muitos destes animais apresentam hábitos noturnos, a entrada nas casas pode ser evitada vedando-se as soleiras das portas e janelas quando começar a escurecer;
  • Usar telas em ralos do chão, pias ou tanques;
  • Combater a proliferação de insetos, para evitar o aparecimento dos escorpiões que deles se alimentam;
  • Vedar frestas e buracos em paredes, assoalhos e vãos entre o forro e paredes, consertar rodapés despregados, colocar saquinhos de areia nas portas, colocar telas nas janelas;
  • Afastar as camas e berços das paredes;
  • Evitar que roupas de cama e mosquiteiros encostem no chão. Não pendurar roupas nas paredes; examinar roupas, principalmente camisas, blusas e calças antes de vestir;
  • Acondicionar lixo domiciliar em sacos plásticos ou outros recipientes que possam ser mantidos fechados, para evitar baratas, moscas ou outros insetos de que se alimentam os escorpiões;
  • Preservar os inimigos naturais de escorpiões e aranhas: aves de hábitos noturnos (coruja, joão-bobo), lagartos e sapos.

 

Em caso de acidentes, lavar apenas com água e sabão, não usar outro produto sob o local, não fazer torniquete no membro e não ingerir bebida alcoólica, ou outras substâncias como gasolina, querosene, etc, pois não tem efeito contra o veneno do escorpião.

Referências bibliográficas:

 

Marília 03 de dezembro de 2018

Dr. Fabio T. R. Reina

CRM/SP: 120934

Núcleo de Vigilância Epidemiológica

Hospital das Clínicas de Marília